Em paliativos existe um subgrupo de pessoas que por apresentarem determinadas características sabemos que se encontram nos seus últimos dias ou horas de vida, sendo designado este estado por agonia.

Na maior parte dos casos tem a duração de horas ou dias, sendo habitualmente mais demorada nas pessoas jovens, normalmente com perfil de lutadores, ou naquelas pessoas com problemas não resolvidos.

Esta é uma etapa de expressão de sentimentos, de despedidas, de conclusões, de encerrar ciclos, o que carece de alguma intimidade e tranquilidade. Perante isto é possível reforçar a lei maior dos paliativos que acredita que sempre há algo que pode ser feito. Se não podemos curar, podemos sempre cuidar. E reforça a importância de os cuidados serem holísticos e sempre renovados de acordo com o momento presente da evolução da doença.

O domicílio, com um apoio eficaz, será o lugar onde todas estas tarefas melhor se cumprem. O internamento por outro lado condiciona habitualmente e é causa de sofrimento pela desadequada intervenção às principais necessidades do doente e pela dificuldade do envolvimento da família. Por este motivo é tão importante o reforço e criação de equipas de cuidados ao domicílio para que a pessoa possa ser bem acompanhada no “seu meio” e para que determinadas circunstâncias e/ou agravamento de sintomas não obriguem a um internamento não desejado.

Quando a pessoa se encontra numa fase de agonia o objectivo central dos cuidados é proporcionar o máximo de conforto e dignidade de vida, sem o intuito de acelerar ou atrasar o processo da morte. Esta deve ser permitida evitando o uso de terapêutica inútil e a realização de medidas desproporcionadas.

“…nesta altura, os doentes sabem que não somos deuses e aquilo que pedem e esperam de nós é que não os abandonemos.”

Esta fase, de entrada na agonia é, também, sempre sinónimo de intensificação dos cuidados à família.

Pelo facto de atualmente a maior parte das pessoas não acompanhar um outro no seu processo de morrer, a não compreensão das características de uma pessoa em fase agónica é muitas vezes causa de sofrimento por si só.

Perante isto, vou partilhar aqui algumas das características deste processo, que são naturais, com possibilidade de os explorar posteriormente:

❥ oscilação/diminuição do nível de consciência; alguma desorientação e dificuldade na comunicação;

❥ dificuldade progressiva na ingestão e deglutição;

❥ diminuição da diurese, retenção urinária, aparecimento de edemas periféricos (pernas inchadas, por exemplo) e ruídos respiratórios. Alterações da temperatura corporal e da coloração da pele (palidez ou cianose, por exemplo);

❥ alterações da respiração (apneias/polipneias – pausas na respiração e/ou respiração acelerada por exemplo);

❥ presença de angústia, agitação, crises de medo ou pânico, pesadelos;

❥ evidência e/ou percepção emocional, verbalizada ou não, da realidade da proximidade da morte.

Estas são as características de um estado agónico, contudo podem estar presentes todas ou só algumas (a presença de uma delas de forma isolada e por si só também não é indicador de um estado agónico). Através da compressão das mesmas podemos perceber que a pessoa está a passar por um processo natural e procurar as situações que lhe possam estar a causar algum desconforto. É possível, e é necessário também saber, que a pessoa pode estar tranquila.