No final de vida é frequente a pessoa apresentar uma respiração ruidosa, denominada estertor, e esta é habitualmente um motivo de inquietação para os familiares. Estes costumam temer que o ruido da respiração seja sinónimo de sufocação.

Nesta fase é importante explicar à família que os sons que ouvem são criados durante a entrada (inspiração) e saída de ar (expiração). Ocorrem pela passagem de ar e pela incapacidade que a pessoa em fim de vida tem em expulsar as secreções existentes na garganta (orofaringe e traqueia), não sendo este facto um sinónimo de asfixia.

Acredita-se que a pessoa em fim de vida não tem consciência desta situação e, por isso, é frequente falar-se que nesta altura tratar o estertor serve sobretudo para tranquilizar a família e/ou as pessoas ao seu redor. O estertor por si só não é um motivo de desconforto para a pessoa em fim de vida.

O tratamento do estertor começa principalmente pela explicação da situação e tranquilização da família. Podendo este factor ser mais facilmente trabalhado, quando podemos ter conhecimento acerca dele ainda antes de o mesmo ocorrer, como por exemplo, ao leres agora este texto.

Posicionar a pessoa em fim de vida corretamente permite também uma diminuição da acumulação das secreções.

A aspiração de secreções só deve ser efetuada em casos extremos (se elas forem abundantes, por exemplo) pois este procedimento pode desencadear o vómito e ser um motivo de maior desconforto para a pessoa em fim de vida.

Estes momentos devem ser aproveitados para reforçar o objectivo dos cuidados. Conforto acima de tudo.

Por vezes, podem ainda ser administrados determinados fármacos, contudo estes devem ser prescritos precocemente antes da respiração ruidosa surgir, de forma a poderem ser eficazes. Pois estes não atuam nas secreções já presentes.

Resumidamente: uma pessoa em fim de vida pode apresentar alguns ruídos respiratórios, mas para um melhor cuidar estes devem ser considerados como parte do processo, sem possibilidade de causar sofrimento à pessoa em fim de vida, devendo as pessoas ao seu redor tentar entender o mesmo e evitar solicitar procedimentos invasivos.