(mestre espiritual budista e conferencista)
“Todo o universo,… nada mais é do que mudança, atividade e processo…
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O que é a nossa vida senão esta dança de formas transitórias? Não está sempre tudo a mudar: as folhas das árvores no parque, a luz no seu quarto enquanto lê isto, as estações do ano, o clima, a altura do dia, as pessoas que se cruzam consigo na rua? E em relação a nós? Tudo o que fizemos no passado não parece agora um sonho? Os amigos com quem crescemos, os fantasmas da nossa infância, os pontos de vista e opiniões que antes defendíamos com tanta convicção: deixámos tudo isso para trás.
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As células do nosso corpo estão a morrer, os neurónios do nosso cérebro estão a degradar-se, até mesmo a expressão do nosso rosto está sempre a mudar, consoante a nossa disposição. Aquilo que chamamos traços principais da nossa personalidade não passam de uma ‘corrente mental’, nada mais. Hoje sentimo-nos bem-dispostos
porque as coisas estão a correr bem; amanhã sentimos o contrário. Para onde foi aquela sensação agradável? Novas influências moldam-nos à medida que as circunstâncias se alteram: somos impermanentes, as influências são impermanentes e não há nada sólido nem duradouro em lado nenhum que possamos apontar.
O que pode ser mais imprevisível do que os nossos pensamentos e emoções: faz alguma ideia do que vai pensar ou sentir a seguir? Na verdade, a nossa mente é tão vazia, tão impermanente e tão transitória como um sonho. Observe um pensamento: ele surge, fica e depois desaparece. O passado já passou, o futuro ainda não surgiu e até o pensamento presente, à medida que o experimentamos, se toma passado.
A única coisa que temos realmente é o momento presente, é o agora.
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Faça a si próprio estas duas questões: Lembro-me a cada instante de que estou a morrer, tal como toda a gente e tudo o resto, e por conseguinte trato sempre todos os seres com compaixão? Será que a minha compreensão da morte e da impermanência se tornou tão refinada e tão urgente que dedico cada segundo à busca da iluminação? Se for capaz de responder ‘sim’ a ambas as questões, então compreendeu verdadeiramente a impermanência.”