(mestre espiritual budista e conferencista)
“…cada vez que as perdas e decepções da vida nos ensinam sobre a impermanência, elas aproximam-nos da verdade.
(…)
E se tiver o entendimento proveniente da prática espiritual, então cair não é de modo algum uma desgraça mas a descoberta de um refúgio interior. As dificuldades e os obstáculos, se forem compreendidos e utilizados apropriadamente, podem muitas vezes revelar-se uma fonte inesperada de força.
(…)
Uma das principais razões que nos levam a sentir tanta angústia e dificuldade em encarar a morte é porque ignoramos a verdade da impermanência. Queremos tão desesperadamente que tudo continue como está que temos de acreditar que as coisas vão continuar sempre na mesma. Mas isto é apenas um faz de conta. (…) Este faz de conta, com a sua desinformação, ideias e suposições, é o alicerce frágil sobre o qual construímos a nossa vida. Por mais que a verdade nos esteja sempre a interromper, preferimos continuar a tentar manter a farsa, com uma petulância vã.
Na nossa mente, as mudanças equivalem sempre a perda e sofrimento. E, quando acontecem, tentamos anestesiar-nos tanto quanto possível. Presumimos, com teimosia e sem questionar, que a permanência nos proporciona segurança e a impermanência não. Mas, de facto, a impermanência é como algumas pessoas que conhecemos na nossa vida – difíceis e perturbadoras de início, contudo, quando as conhecemos melhor, revelam-se muito mais amigáveis e menos irritantes do que poderíamos ter imaginado.
Reflita no seguinte: a compreensão da impermanência é paradoxalmente a única coisa a que nos podemos agarrar, talvez a nossa única posse duradoura. Ela é como o céu ou a terra. Independentemente de quanto tudo à nossa volta possa mudar ou desmoronar-se, eles perduram. Vamos supor que estamos a atravessar uma crise emocional arrasadora… toda a nossa vida parece desintegrar-se… o nosso marido ou mulher deixa-nos subitamente sem qualquer aviso. A terra ainda existe; o céu ainda está lá. Obviamente, até mesmo a terra estremece de vez em quando, só para nos lembrar que nada está garantido…”