(mestre espiritual budista e conferencista)
“Encarar a morte não precisa de ser assustador nem mórbido. Porque não refletir na morte quando está verdadeiramente inspirado, descontraído e confortável, deitado na cama, ou de férias, ou a ouvir uma música que lhe agrada particularmente? Porque não a contemplar quando está feliz, de boa saúde, confiante e com uma sensação de bem-estar? Ainda não reparou que há certos momentos em que tem uma tendência natural para a introspeção? Aproveite-os de um modo cuidadoso, porque estes são os momentos em que pode passar por uma experiência poderosa e em que toda a sua perspetiva do mundo pode mudar rapidamente. Estes são também os momentos em que as crenças antigas se desmoronam por si só e pode dar consigo a ser transformado.
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 O resultado da reflexão profunda e frequente na morte é dar consigo a ‘emergir’, muitas vezes com repugnância, dos seus padrões habituais. Vai perceber que está cada vez mais preparado para os abandonar, e no final será capaz de se libertar deles com tanta destreza, dizem os mestres, ‘como se tirasse um cabelo de um pedaço de manteiga’.
Esta renúncia que acabará por desenvolver contém tanto tristeza como alegria: tristeza porque se apercebe da futilidade dos seus velhos hábitos e alegria devido à visão suprema que começa a revelar-se quando os consegue largar. Esta não é uma alegria comum. É uma alegria que gera uma força nova e profunda, uma confiança, uma inspiração duradoura que resulta da compreensão de que não está condenado aos seus hábitos, que pode de facto emergir deles, que pode mudar e tornar-se cada vez mais livre.”