(psicóloga em cuidados paliativos)

“O mundo que nos rodeia não nos ensina a morrer. Tudo é feito para esconder a morte, para nos incitar a viver sem pensar nela, nos moldes de um projecto, voltados para objectivos a atingir, sustentados por valores de efectividade. Ele não nos ensina, tão-pouco, a viver. Apenas a ter sucesso na vida, o que não é a mesma coisa. Trata-se de “fazer” cada vez mais, de “ter” cada vez mais, numa corrida desenfreada em busca de uma felicidade material que acabamos por perceber, mais cedo ou mais tarde, não bastar para conferir um sentido às nossas existências. É assim que recolhemos por vezes, da boca de agonizantes revoltados, amargurados, essa última mágoa de terem passado ao lado do essencial. Não é preciso ser particularmente religioso para sentir que não estamos cá na Terra para passar a vida a produzir e a consumir.”