(psicóloga em cuidados paliativos)

“Se há tão poucos pedidos de eutanásia nas unidades de cuidados paliativos, não é só porque a dor aí seja mais aliviada ou porque se acompanha melhor os moribundos, é também porque aí se tem o direito de morrer. O desejo de se finar e a angústia diante da morte não são rejeitados, mas acolhidos pelo pessoal médico e auxiliar como experiências próprias do final de vida. É este espaço psicológico – sim, posso mostrar a minha tristeza, a minha cólera, o meu ‘estou por aqui’, posso manifestar a minha angústia sem fazer debandar aqueles que me cercam -,é, esta liberdade de sermos nós próprios no limiar da morte que permite ir até ao fim e morrer da sua própria morte.”