(escritor, psiquiatra)

“Perdi o meu amado pai há já dois anos e desde então tenho experimentado um crescimento interior absolutamente imprevisível. Até então questionava muitas vezes a minha capacidade para confrontar a finitude e era assombrada pela ideia de que também morreria um dia. Contudo, encontrei agora nessas ansiedades e medos uma paixão pela vida que me era desconhecida. Às vezes sinto-me distante dos que me rodeiam, porque me preocupo muito menos do que eles com trivialidades, eventos sociais, modas. Apesar disso julgo que atingi um grande equilíbrio e consigo aceitar as diferenças porque acredito ter interiorizado o que é realmente importante e aquilo que não é. Acho que vou ter de aprender a lidar com a tensão que me provoca seguir caminhos que não são aqueles que os outros esperam que prossiga. É maravilhoso saber que este meu entusiasmo pela vida é mais do que um disfarce para os meus medos da morte. Tenho a certeza que resulta da prontidão com que agora aceito a minha condição de mortal. Suspeito que ganhei alguma confiança na minha capacidade de ‘apanhar’ o que se passa em meu redor.”