(médica geriatra, especialista em cuidados paliativos)

“Diante de uma doença grave e de caminho inexorável em direção à morte, a família adoece também.(…) As consequências da experiência da doença alcançam todos, e a rede de suporte que o doente tem pode ajudar ou dificultar esse momento da vida. E ainda temos a dimensão espiritual do ser humano que adoece. Em geral, nesse momento de clara consciência da finitude, essa dimensão ganha uma voz que nunca teve antes. Existe um risco grande de que a dimensão espiritual mal estruturada, construída sobre relações de custo e benefício com Deus ou com o Sagrado, caia em ruínas diante da constatação de que nada vai adiar o Grande Encontro, o Fim, a Morte. Muitas vezes, a dor maior é a de sentir-se abandonado por um Deus que não se submeteu às suas vontades e simplesmente desapareceu das nossas vidas num momento tão difícil e de tanto sofrimento.”