(médica geriatra, especialista em cuidados paliativos)

 

“…saber perder é a arte de quem conseguiu viver plenamente o que ganhou um dia. Cada perda existencial, cada morte simbólica, seja de uma relação, de um trabalho, de uma realidade que conhecemos, precisa pelo menos de três padrões de sentido. O primeiro diz respeito ao perdão, a si mesmo e ao outro. O segundo é saber que o que foi vivido de bom naquela realidade não será esquecido. O terceiro é a certeza de que fizemos a diferença naquele tempo que termina para a nossa história, deixamos um legado, uma marca que transformou aquela pessoa ou aquela realidade que agora ficará fora da sua vida. Aceitar a perda tem uma função vital na nossa vida que continua. (…) Só conseguiremos passar para a próxima etapa se tivermos uma destas três confirmações: de que perdoamos, deixamos a nossa marca ou levamos a história connosco e tiramos dela as aprendizagens possíveis”