(médica geriatra, especialista em cuidados paliativos)

 

“O desafio de fazer uma pessoa sentir-se viva não é negar o processo de morte dela. Então, se desejamos estar presentes, seja a trabalhar, seja a vivenciar a morte de uma pessoa que amamos muito, os primeiros desafios são estes: saber quem somos, o que estamos a fazer ali e como faremos para que aquele processo seja o menos doloroso possível. O passo seguinte é procurar saber qual é a nossa capacidade de transformar a forma como aquela pessoa se vê – como um fardo, um peso, um mar de medos e arrependimentos – em algo de valor. Se nos sentirmos perdidos no meio disso tudo, observemos. (…) ‘Quando estamos perdidos, encontramos lugares que, se soubéssemos onde estavam, jamais teríamos encontrado.’ Aproveitemos o tempo em que nos perdemos. Permanecer ao lado de alguém que está a morrer fará com que experimentemos essa sensação de estar perdidos muitas vezes. Não é o caso para fugir. É nesse espaço de tempo que conheceremos caminhos absolutamente inéditos dentro de nós mesmos para chegar a um lugar incrível: a vida.”