(médica geriatra, especialista em cuidados paliativos)

 

“O grau de presença que é preciso de desenvolver para realizar Cuidados Paliativos só pode ser alcançado com treino técnico comprometido, atividade física consciente para sentir o seu corpo, terapia emocional e experiências que ajudam a encontrar a própria paz. Como ajudar o outro a encontrar a paz dele se não fazemos ideia de onde está a nossa paz? Um diploma não mostra o sentido da vida, portanto não nos iludamos com certificados. (…) Se não sabemos onde está a nossa importância, dificilmente seremos capazes de fazer alguma coisa na vida de alguém e, na hora da morte, é possível que sejamos apenas presenças incómodas. A transformação começa no momento em que nos percebemos capazes de estar presentes. A pessoa que está a morrer não deve sentir-se um peso, um estorvo, um incómodo. Ela merece a chance de descobrir-se valiosa para quem está ali, ao lado dela. Todos nós merecemos isso. Sentir que temos valor, que somos importantes, que somos amados, mesmo quando estivermos doentes e a morrer. O desafio de quem quer estar ao lado de uma pessoa que está a morrer é saber transformar o sentimento dela em algo de valor. Transformar o sentimento de fracasso diante da doença num sentimento de orgulho pela coragem de enfrentar o sofrimento de finitude. Se a pessoa que está a morrer se sente valiosa, no sentido de ser importante, de fazer diferença na própria vida e sentir que faz a diferença na vida de quem está a cuidar dela, ela honrará esse tempo.”